segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Novena pelas almas do Purgatório



Nesta novena escrita por Santo Afonso de Ligório, supliquemos a Deus, em nosso favor, a graça da salvação e, em favor das almas do Purgatório, a graça de serem admitidas o mais depressa possível à presença de Deus.


Orações iniciais para todos os dias da novena

Ato de contrição. — Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, Criador e Redentor meu, em quem firmemente creio e espero e a Quem amo mais que a mim mesmo, mais do que todas as coisas, pesa-me, Senhor, de todo o meu coração por vos ter ofendido, por serdes Vós quem sois, tão bom, santo, amável e adorável; pesa-me também, porque com os meus pecados tenho merecido as penas do Purgatório, e, quem sabe, se também os tormentos eternos do Inferno.

Proponho, ajudado com a Vossa graça, nunca mais pecar, fugir de todas as ocasiões de ofender-Vos, confessar-me, corrigir e emendar os meus erros e perseverar até à morte na Vossa amizade. Peço-vos, meu Deus, esta graça, pelo amor que tendes às benditas almas do Purgatório, pelos méritos da Vossa paixão e pelas dores da Vossa aflitíssima Mãe. Amém.

Oração inicial. — Ó Pai Eterno, amoroso e misericordioso, que impelido pela Vossa infinita misericórdia, tanto amastes o mundo, a ponto de lhe dardes o vosso Filho Unigênito, para que aqueles que n’Ele crerem não pereçam, mas vivam eternamente, permitireis acaso, ó Senhor, que sofram ainda por muito tempo no Purgatório essas almas queridas, filhas Vossas e esposas de Jesus Cristo, que as comprou com o preço infinito do Seu Sangue?

Tende piedade dessas aflitas prisioneiras e livrai-as das suas penas e tormentos. Tende também compaixão da minha pobre alma, livrando-a do abismo do pecado. E se a Vossa justiça, não satisfeita ainda, exige maior reparação pelas faltas que cometeram, ofereço-vos os atos de virtudes que praticar durante esta novena.

Nada, ou muito pouco, valem todos eles, é verdade; mas eu vô-los ofereço unidos aos merecimentos de Jesus Cristo, às dores de Sua Mãe Santíssima e às virtudes heroicas de todas as almas justas que até hoje têm vivido no mundo. Compadecei-vos dos vivos e dos defuntos e concedei-nos a todos a graça de cantarmos um dia no Céu os triunfos da Vossa misericórdia. 

Amém.

(Meditar o dia da novena e depois fazer as orações finais).


domingo, 12 de novembro de 2023

Sermão da Montanha (Mateus 5-7)


Evangelho segundo São Mateus – Capítulo 5

Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos,

e ele se pôs a ensiná-los, dizendo:

Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.

Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.

Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão saciados.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.

Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.

Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.

Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.

Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa.

Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que vieram antes de vós.

Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? Para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens.

Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte;

nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos que estão na casa.

Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.

Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir.

Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só jota ou um só til, até que tudo seja cumprido.

Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus.

Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.

Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e, Quem matar será réu de juízo.

Eu, porém, vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e quem disser a seu irmão: Raca, será réu diante do sinédrio; e quem lhe disser: Tolo, será réu do fogo do inferno.

Portanto, se estiveres apresentando a tua oferta no altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,

deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta.

Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele; para que não aconteça que o adversário te entregue ao guarda, e sejas lançado na prisão.

Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último centavo.

Ouvistes que foi dito: Não adulterarás.

Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.

Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.

E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que vá todo o teu corpo para o inferno.

Também foi dito: Quem repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.

Eu, porém, vos digo que todo aquele que repudia sua mulher, a não ser por causa de infidelidade, a faz adúltera; e quem casar com a repudiada, comete adultério.

Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus juramentos.

Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus;

nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei;

nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um só cabelo branco ou preto.

Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não; pois o que passa daí, vem do Maligno.

Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.

Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;

e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;

e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil.

Dá a quem te pedir, e não voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes.

Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo.

Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem;

para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.

Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?

E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis demais? Não fazem os gentios também o mesmo?

Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.


Evangelho segundo São Mateus – Capítulo 6

Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; de outra sorte não tereis recompensa junto de vosso Pai, que está nos céus.

Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.

Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita;

para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.

Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos.

Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes.

Portanto, orai vós deste modo: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome;

venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;

o pão nosso de cada dia nos dá hoje;

e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores;

e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal. [Porque teu é o reino e o poder, e a glória, para sempre, Amém.]

Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós;

se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas.

Quando jejuardes, não vos mostreis tristes como os hipócritas; porque eles desfiguram os seus rostos, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.

Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto,

para não mostrar aos homens que estás jejuando, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam;

mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões não minam nem roubam.

Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

A luz do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz;

se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!

Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

Por isso vos digo: Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, ou pelo que haveis de beber; nem, quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?

Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que elas?

Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?

E pelo que haveis de vestir, por que andais ansiosos? Olhai para os lírios do campo, como crescem; não trabalham nem fiam;

contudo vos digo que nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles.

Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?

Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir?

(Pois a todas estas coisas os gentios procuram.) Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso.

Buscai, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas de acréscimo.

Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. A cada dia basta o seu cuidado.


Evangelho segundo São Mateus – Capítulo 7

Não julgueis, para que não sejais julgados.

Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós.

E por que vês o argueiro no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu olho?

Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?

Hipócrita! tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem para tirar o argueiro do olho do teu irmão.

Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para não acontecer que as calquem aos pés e, voltando-se, vos despedacem.

Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á.

Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á.

Ou qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra?

Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente?

Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem?

Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas.

Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;

e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram.

Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.

Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?

Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus.

Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons.

Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo.

Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.

Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres?

Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.

Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha.

E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.

Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia.

E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e grande foi a sua queda.

Ao concluir Jesus este discurso, as multidões se maravilhavam da sua doutrina;

porque as ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas.

Três Monges e o Passado


O malígno apareceu para três monges e disse: se eu lhe desse o poder de mudar algo do passado, o que você mudaria?

O primeiro deles, com grande fervor apostólico, respondeu: "Eu os impediria de fazer Adão e Eva caírem em pecado, para que a humanidade não pudesse se afastar de Deus."

O segundo, um homem cheio de misericórdia, disse-lhe: "Isso impediria você mesmo de se afastar de Deus e se condenar eternamente."

O terceiro deles era o mais simples e, em vez de responder ao tentador, ele se ajoelhou, fez o sinal da cruz e orou:

"Senhor, livra-me da tentação do que poderia ser e não fora."

O inominável, dando um grito estridente e estremecendo de dor, desapareceu. Os outros dois, surpresos, disseram-lhe: "Irmão, por que você reagiu assim?"

Ele respondeu: 

“Primeiro: NUNCA devemos dialogar com o inimigo. 

Segundo: NINGUÉM no mundo tem o poder de mudar o passado.

Terceiro: O INTERESSE de Satanás não era provar nossa virtude, mas nos prender no passado, para que negligenciássemos o presente … , o único momento em que Deus nos dá sua graça e podemos cooperar com ele para cumprir sua vontade. "

De todos os demônios, o que mais aprisiona os homens e os impede de serem felizes é o do "QUE PODERIA TER SIDO E NÃO FOI “. 

O passado é deixado à misericórdia de Deus e o futuro à sua Providência. Só o PRESENTE está em nossas mãos.

Via Sacra

 


Rezando a Via Sacra com Santo Afonso de Ligório

Com estas orações compostas por Santo Afonso Maria de Ligório, refaça conosco o mesmo caminho que Nosso Senhor percorreu com a Cruz às costas, desde o pretório de Pilatos até o monte Calvário.

Equipe Christo Nihil Praeponere

26.Mar.2021Tempo de leitura: 16 minutos

A Via Sacra é uma das mais antigas formas de se meditar a Paixão de Cristo. A expressão vem do latim e significa “caminho sagrado”: literalmente falando, nada mais é que o trajeto percorrido por Nosso Senhor com a Cruz às costas, desde o pretório de Pilatos, onde foi condenado à morte, até o Calvário, onde foi crucificado. 

Segundo uma piedosa tradição, ninguém menos que a Virgem Maria teria dado início a este santo exercício: após a morte de seu divino Filho, seja sozinha, seja em companhia das santas mulheres, ela teria refeito constantemente a via crucis, isto é, o “caminho da Cruz”.

Seguindo o exemplo de Nossa Senhora, os fiéis da Palestina — e, no correr dos anos, numerosos peregrinos de todos os lugares do mundo — procuraram visitar aqueles santos lugares, cobertos pelo suor e pelo sangue de Jesus Cristo; e a Igreja, a fim de encorajar-lhes a piedade, abriu a esses peregrinos seus tesouros de bênçãos espirituais. 

Segundo uma piedosa tradição, ninguém menos que a Virgem Maria teria dado início ao exercício da Via Sacra.

Como, porém, nem todos podem ir à Terra Santa, a Santa Sé autorizou que fossem erigidas, nas igrejas e nas capelas de todo o mundo, cruzes, pinturas ou baixos-relevos representando as tocantes cenas que se passaram na estrada verdadeira ao Calvário, em Jerusalém.

Ao permitir a construção dessas “estações”, como são chamadas — e que tradicionalmente são em número de 14 —, os Pontífices Romanos, que compreendiam toda a excelência e eficácia desta devoção, se dignaram também enriquecê-las de todas as indulgências que advinham de uma visita de verdade à Terra Santa. 

Ainda hoje, segundo o Manual das Indulgências, “concede-se indulgência plenária ao fiel que fizer o exercício da via-sacra, piedosamente”, levando-se em conta o seguinte (conc. 63): 

I. “O piedoso exercício deve-se realizar diante das estações da via-sacra, legitimamente eretas. 

II. Requerem-se catorze cruzes para erigir a via-sacra; junto com as cruzes, costuma-se colocar outras tantas imagens ou quadros que representam as estações de Jerusalém. 

III. Conforme o costume mais comum, o piedoso exercício consta de catorze leituras devotas, a que se acrescentam algumas orações vocais. Requer-se piedosa meditação só da Paixão e Morte do Senhor, sem ser necessária a consideração do mistério de cada estação. 

IV. Exige-se o movimento de uma para a outra estação. Mas, se a via-sacra se faz publicamente e não se pode fazer o movimento de todos os presentes ordenadamente, basta que o dirigente se mova para cada uma das estações, enquanto os outros ficam em seus lugares.”

Essa indulgência pode, ainda, ser lucrada todos os dias do ano e aplicar-se aos defuntos como sufrágio. 

Se sempre devemos meditar os sofrimentos de nosso Redentor, a Quaresma, porém, é um tempo ainda mais propício para isso, especialmente nas suas duas últimas semanas, tradicionalmente denominadas de “Tempo da Paixão”.

Por isso, publicamos a seguir o texto de uma Via Sacra com meditações compostas por S. Afonso Maria de Ligório. Encontramos essa preciosidade no site Preces Latinae (onde é possível rezar com essas reflexões em latim) e a tradução portuguesa abaixo é de nossa equipe. (Há também uma versão dessa oração em italiano aqui.)

De uma estação a outra, é recomendável que se entoe algum canto piedoso, como o Stabat mater. Em língua portuguesa, talvez o hino A morrer crucificado seja o mais conhecido para essa finalidade. Por isso, acrescentamos os seus versos após cada uma das meditações de Santo Afonso (embora eles não sejam de autoria do santo). Também adicionamos, no final da Via Sacra, duas orações tradicionais que normalmente a acompanham: uma a Jesus crucificado e outra a Nossa Senhora das Dores (mas tampouco elas são da pena de Santo Afonso).

As imagens das estações, a seguir, se encontram na Igreja de São Bonifácio, na cidade de Leeuwarden, Holanda.

 

Oração Inicial

Senhor Jesus Cristo, vós com tanto amor entrastes nesta via para morrerdes por mim; eu porém tantas vezes vos desprezei! Agora, de toda a minha alma vos amo e, porque vos amo, arrependo-me do fundo do coração de ter-vos ofendido. Perdoai-me e permiti que vos acompanhe nesta via. Vós, por amor a mim, caminhais para o lugar em que por mim haveis de morrer, e eu também, por amor a vós, desejo acompanhar-vos para convosco morrer, amantíssimo Redentor. Ó meu Jesus, desejo convosco viver e morrer!


1.ª Estação — Jesus é condenado à morte

?. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.

?. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos como Jesus Cristo, já flagelado e coroado de espinhos, foi por fim injustamente condenado à morte por Pilatos.

Oração. — Ó Jesus adorável, não foi Pilatos, mas minha vida iníqua que vos condenou à morte. Pelo mérito deste tão penoso itinerário, no qual entrais rumo ao monte Calvário, peço-vos que benignamente me acompanheis no caminho pelo qual minha alma se dirige à eternidade. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor, mais do que a mim mesmo, e do fundo do coração me arrependo de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente me separe de vós. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes. O que vos for agradável também o será para mim.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

A morrer crucificado,

Teu Jesus é condenado

Por teus crimes, pecador.

Pela Virgem dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

Perdoai-me, meu Jesus.

2.ª Estação — Jesus carrega a Cruz

?. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.

?. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos como Jesus Cristo, levando a Cruz aos ombros, lembrava-se no caminho de oferecer por nós ao Pai eterno a morte que havia de sofrer.

Oração. — Ó amabilíssimo Jesus, abraço todas as adversidades que, por vossa vontade, hei de tolerar até a morte e, pelo duro sofrimento que suportastes carregando a Cruz, peço-vos que me deis forças para que também eu possa carregar, com ânimo forte e paciente, minha própria cruz. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor, e arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que novamente me separe de ti. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Com a Cruz é carregado,

E do peso acabrunhado,

Vai morrer por teu amor.

Pela Virgem dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

Perdoai-me, meu Jesus.

 

3.ª Estação — Jesus cai pela primeira vez

?. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.

?. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos a primeira queda de Jesus sob o peso da Cruz. Tinha Ele a carne, por causa da cruenta flagelação, ferida de muitos modos e a cabeça coroada de espinhos; derramara ainda tanto sangue, que mal podia mover os pés por falta de forças. E porque era oprimido pelo grave peso da Cruz e açulado sem clemência pelos soldados, por isso aconteceu-lhe de cair muitas vezes por terra ao longo do caminho.

Oração. — Ó meu Jesus, não é o peso da Cruz, mas o dos meus pecados que de tantas dores vos cobre. Rogo-vos, por esta vossa primeira queda, que me protejais de toda queda em pecado. Amo-vos, ó Jesus, de todo o meu coração; arrependo-me de ter-vos ofendido. Não me permitais novamente cair em pecado. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Pela Cruz tão oprimido,

Cai Jesus, desfalecido,

Pela tua salvação.

Pela Virgem dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

Perdoai-me, meu Jesus.

 


4.ª Estação — Jesus se encontra com sua Mãe dolorosa

?. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.

?. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos como deve ter sido o encontro, neste caminho, do Filho e da Mãe. Jesus e Maria se olharam entre si, e os olhares mudos que trocaram foram outras tantas setas a atravessar o coração amante de ambos.

Oração. — Ó amantíssimo Jesus, pela dor acerba que experimentastes neste encontro, tornai-me, eu vos peço, verdadeiramente devoto de vossa Mãe santíssima. E vós, ó minha dolorosa Rainha, intercedei por mim e alcançai-me uma tal memória dos suplícios de vosso Filho, que minha mente esteja para sempre detida na piedosa contemplação deles. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor; arrependo-me de ter-vos ofendido. Não me permitais novamente pecar contra vós. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

De Maria lacrimosa,

No encontro lastimosa,

Vê a imensa compaixão.

Pela Virgem dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

Perdoai-me, meu Jesus.


5.ª Estação — O Cirineu ajuda Jesus a carregar a Cruz

?. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.

?. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos como os judeus obrigaram Simão de Cirene a carregar a Cruz atrás do Senhor, vendo Jesus quase expirar a cada passo devido ao cansaço e temendo, por outra parte, que morresse no caminho aquele que queriam ver pregado à Cruz.

Oração. — Ó dulcíssimo Jesus, não quero, como o Cirineu, repudiar a Cruz. De bom grado a abraço e tomo sobre mim; abraço especialmente a morte que para mim estabelecestes, com todas as dores que ela trará consigo. Uno minha morte à vossa e, assim unida, ofereço-a a vós em sacrifício. Vós morrestes por amor a mim; quero também eu morrer por amor a vós, com a intenção de vos agradar. Vós, porém, ajudai-me com a vossa graça. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor, e arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Em extremo desmaiado,

Teve auxílio, tão cansado,

Recebendo o Cireneu.

Pela Virgem dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

Perdoai-me, meu Jesus.


6.ª Estação — Verônica limpa com um sudário o rosto de Jesus

?. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.

?. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos como aquela santa mulher Verônica, vendo Jesus abatido pelas dores, com o rosto banhado em suor e sangue, estendeu-lhe um pano em que, purificada a face, Ele deixou impressa sua imagem.

Oração. — Ó meu Jesus, formosa era antes a vossa face; mas agora não aparece assim, tão deformada está por feridas e sangue! Ai de mim, como era formosa também minha alma, quando recebi a vossa graça pelo Batismo: mas, pecando, tornei-a disforme. Vós somente, meu Redentor, lhe podeis restituir a antiga beleza. Para que o façais, rogo-vos pelo mérito de vossa Paixão. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor; arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

O seu rosto ensanguentado,

Por Verônica enxugado,

Eis, no pano, apareceu.

Pela Virgem dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

Perdoai-me, meu Jesus.


7.ª Estação — Jesus cai pela segunda vez

?. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.

?. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos a segunda queda de Jesus sob o peso da Cruz, na qual se lhe aprofundam todas as chagas da venerável cabeça e de todo o corpo, e se renovam todas as angústias do doloroso Senhor.

Oração. — Ó mansíssimo Jesus, quantas vezes me concedestes o perdão! Eu, porém, recaí nos mesmos pecados e renovei minhas ofensas contra vós. Pelo mérito desta vossa nova queda, ajudai-me a perseverar em vossa graça até a morte. Fazei, em todas as tentações que avançarão contra mim, que em vós sempre me refugie. Amo-vos de todo o meu coração, ó Jesus, meu Amor; arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Outra vez desfalecido,

Pelas dores abatido,

Cai por terra o Salvador.

Pela Virgem dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

Perdoai-me, meu Jesus.


8.ª Estação — Jesus fala às mulheres de Jerusalém

?. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.

?. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos como estas mulheres, vendo Jesus morto de cansaço e coberto de sangue, são tocadas de comiseração e choram copiosamente. Mas, voltando-se a elas, Ele diz: “Não choreis por mim; antes, chorai por vós mesmas e por vossos filhos”.

Oração. — Ó doloroso Jesus, choro os pecados que cometi contra vós, não só pelas penas de que me fizeram digno, mas sobretudo pela tristeza que vos causaram a vós, que tanto me amastes. Ao choro me move menos o inferno que o amor a vós. Ó meu Jesus, amo-vos mais do que a mim mesmo; arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Das mulheres piedosas,

De Sião filhas chorosas,

É Jesus consolador.

Pela Virgem dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

Perdoai-me, meu Jesus.


9.ª Estação — Jesus cai pela terceira vez

?. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.

?. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos a terceira queda de Cristo sob o peso da Cruz. Caiu porque era demasiada a sua fraqueza e excessiva a crueldade dos algozes, que lhe queriam acelerar a marcha, embora Ele mal pudesse dar um passo.

Oração. — Ó Jesus tão maltratado, pelo mérito desta falta de forças que quisestes padecer no caminho do Calvário, confortai-me, eu vos peço, com tanto vigor, que já não tenha respeito algum às opiniões dos homens e domine minha natureza viciosa: porque ambas as coisas foram a causa por que desprezei outrora a vossa amizade. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor, de todo o meu coração; arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Cai, terceira vez, prostrado,

Pelo peso redobrado

Dos pecados e da Cruz.

Pela Virgem dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

Perdoai-me, meu Jesus.

10.ª Estação — Jesus é espoliado de suas vestes

?. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.

?. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos com que violência arrancaram as vestes a Cristo. Como o traje interior estivesse muito pegado à carne, aberta pelos flagelos, os carnífices, ao puxarem-lha, rasgaram-lhe também a pele. Tenhamos compaixão de Nosso Senhor e lhe falemos assim:

Oração. — Ó inocentíssimo Jesus, pelo mérito da dor que padecestes nesta espoliação, ajudai-me, eu vos peço, a despir-me de todo afeto às coisas criadas e, com toda a inclinação de minha vontade, converter-me somente a vós, que sois tão digno do meu amor. Amo-vos de todo o meu coração; arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Dos vestidos despojado,

Por algozes maltratado,

Eu vos vejo, meu Jesus.

Pela Virgem dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

Perdoai-me, meu Jesus.

11.ª Estação — Jesus é pregado à Cruz

?. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.

?. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos como Jesus é arremessado sobre a Cruz e, de braços estendidos, oferece sua vida ao Pai eterno em sacrifício pela nossa salvação. Os carnífices o pregam à Cruz e, depois de erguerem esta, deixam-no levantado num infame patíbulo, abandonado a uma morte cruel.

Oração. — Ó Jesus tão desprezado, pregai meu coração aos vossos pés, para que, com vínculo de amor, eu permaneça sempre a vós ligado e jamais seja de vós separado. Amo-vos mais do que a mim mesmo, arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Sois por mim na Cruz pregado,

Insultado, blasfemado,

Com cegueira e com furor.

Pela Virgem dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

Perdoai-me, meu Jesus.

 


12.ª Estação — Jesus morre na Cruz

?. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.

?. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos Jesus preso à nossa Cruz. Após três horas de luta, consumido enfim pelas dores, Ele deu o corpo à morte e, de cabeça inclinada, entregou o espírito.

Oração. — Ó Jesus morto, movido por íntimos afetos de piedade, beijo esta Cruz em que vós, por minha causa, cumpristes o curso de vossa vida. Pelos pecados cometidos, mereci uma morte infeliz; mas vossa morte é minha esperança. Pelos méritos de vossa morte, concedei-me, peço-vos, que, abraçado aos vossos pés e abrasado de amor por vós, eu entregue um dia meu espírito. Amo-vos de todo o meu coração; arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Por meus crimes padecestes,

Meu Jesus, por mim morrestes,

Oh, quão grande é minha dor!

Pela Virgem dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

Perdoai-me, meu Jesus.

 


13.ª Estação — Jesus é descido da Cruz

?. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.

?. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos como dois dos discípulos de Jesus, José e Nicodemos, o tiram exânime da Cruz e o colocam nos braços de sua Mãe dolorosa, que recebe o Filho morto com grande amor e o abraça ternamente.

Oração. — Ó Mãe das Dores, pelo amor com que amais o vosso Filho, recebei-me como servo vosso e rogai a Ele por mim. E vós, ó meu Redentor, porque por mim morrestes, fazei, benignamente, com que eu vos ame; a vós somente desejo nem quero nada fora de vós. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor, e arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

Do madeiro vos tiraram

E à Mãe vos entregaram

Com que dor e compaixão!

Pela Virgem dolorosa,

Vossa Mãe tão piedosa,

Perdoai-me, meu Jesus.

 


14.ª Estação — Jesus é sepultado

?. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.

?. Porque, por vossa santa Cruz, redimistes o mundo.

Contemplemos como os discípulos levam Jesus exânime ao lugar da sepultura. Triste, a Mãe os acompanha e com as próprias mãos acomoda o corpo do Filho à sepultura. Fecha-se este, enfim, e todos vão-se embora.

Oração. — Ó Jesus sepultado, beijo esta pedra que vos acolheu; mas, após três dias, haveis de ressurgir! Por vossa ressurreição, fazei-me, eu vos peço, ressurgir glorioso convosco no último dia e ir para o Céu, onde, unido a vós para sempre, vos hei de louvar e amar por toda a eternidade. Amo-vos e arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.

Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.

No sepulcro vos deixaram,

Sepultado, vos choraram,

Magoado o coração.

Meu Jesus, por vossos passos,

Recebei em vossos braços

A mim, pobre pecador.


Oração final a Jesus crucificado

Eis-me aqui, ó meu bom e dulcíssimo Jesus! Humildemente prostrado de joelhos em vossa presença, peço e suplico-vos, com todo o fervor de minha alma, que vos digneis gravar em meu coração os mais vivos sentimentos de fé, esperança e caridade, de verdadeiro arrependimento de meus pecados, e um firme propósito de emendar-me, enquanto vou considerando, com vivo afeto e dor, as vossas cinco chagas, tendo presentes as palavras que já o profeta Davi punha em vossa boca, ó bom Jesus: “Transpassaram minhas mãos e os meus pés e contaram todos os meus ossos” (Sl 21, 17).

A Nossa Senhora das Dores. — Ó Mãe das Dores, Rainha dos mártires, que tanto chorastes vosso Filho, morto para me salvar, alcançai-me uma verdadeira contrição dos meus pecados e uma sincera mudança de vida. Mãe, pela dor que experimentastes quando vosso divino Filho, no meio de tantos tormentos, inclinando a cabeça expirou à vossa vista sobre a cruz, eu vos suplico que me alcanceis uma boa morte. Por piedade, ó advogada dos pecadores, não deixeis de amparar a minha alma na aflição e no combate da terrível passagem desta vida à eternidade. E, como é possível que, neste momento, a palavra e a voz me faltem para pronunciar o vosso nome e o de Jesus, rogo-vos, desde já, a vós e a vosso divino Filho, que me socorrais nessa hora extrema, e assim direi: 

Jesus e Maria, entrego-vos a minha alma. Amém.