segunda-feira, 30 de outubro de 2023

HALLOWEEN

 

CATÓLICOS PODEM FESTEJAR O HALLOWEEN???

O que nós, como católicos, devemos pensar a respeito do Halloween? Qual a origem dessa festa e como ela assumiu os contornos que vemos hoje? Seria possível festejá-la, em nossos dias, de forma cristã?

Traduzida para a língua portuguesa como "dia das bruxas", a expressão Halloween se origina, na verdade, do calendário litúrgico da Igreja Católica, que celebra no dia 31 de outubro a véspera da Solenidade de Todos os Santos — All Hallows' Eve, em inglês. Seguida pela Comemoração dos Fiéis Defuntos, no dia 2 de novembro, ambas as festas marcam o início de um mês que, para os católicos, se destina tradicionalmente à meditação dos novíssimos (as "últimas realidades", que abarcam a morte, o juízo, o Céu, o inferno e o purgatório). Sabendo, de fato, que a Igreja não é formada apenas pelos membros que militam nesta vida, mas também pelos santos que triunfam no Céu e pelas almas que padecem no purgatório, sempre existiu no coração católico um sentimento de profunda solidariedade para com nossos irmãos do além, sendo esse o motivo pelo qual visitamos os cemitérios, rezamos, jejuamos e mandamos celebrar Missas pelas almas dos fiéis defuntos.

Uma prática piedosa esquecida, também com essa finalidade, é a de dar esmolas, da qual se origina a famosa brincadeira de "doces ou travessuras" (trick-or-treat): a princípio, eram os pobres pedintes que batiam às portas das casas das famílias, esperando receber delas o "pão das almas"; com o tempo, porém, esse pão foi se sofisticando e sendo substituído por doces das mais variadas formas, os quais passaram a ser distribuídos também às crianças. Outro fato curioso é que, possivelmente, foram as visitas aos cemitérios cristãos que deram origem ao costume hoje vigente no Halloween de se acender uma vela dentro de uma abóbora: construídos ao lado das igrejas, os cemitérios eram terrenos muito limitados, pelo que, em alguns lugares, a fim de dar espaço a outros defuntos, os ossos dos falecidos há mais tempo eram colocados em um lugar à parte, onde, ao mesmo tempo, velas eram acendidas para se fazer oração. É da pedagogia cristã, por fim, que parecem vir os trajes de demônios e afins, que hoje as pessoas vestem com escárnio e fins meramente mundanos: no começo, esses costumes eram usados nas artes para catequizar as crianças e ensinar-lhes a Fé, incutindo nelas, desde a mais tenra idade, as verdades eternas. Assim os filhos aprendiam a existência dos demônios e do inferno, a pena eterna devida pelo pecado mortal, a possibilidade real de condenar-se para sempre etc.

Hoje, no entanto, permitir que as crianças se disfarcem de bruxos, monstros e demônios é, sem sombra de dúvida, um grande erro por parte de pais e educadores. A moderna festa de Halloween, que se propagou ao redor do mundo desde os Estados Unidos e a Inglaterra, preservou muito pouco de seus elementos originalmente cristãos. Isso aconteceu porque a Rainha Elisabete I, desprezando (como boa protestante que era) a intercessão pelos mortos, proibiu os seus súditos (e fiéis) de tomarem parte em quaisquer cerimônias que lembrassem o respeito e a reverência que, enquanto membros do mesmo corpo místico, todos devemos aos nossos irmãos que morreram em Cristo. Com isso, ao invés de eliminar os festivais que seu povo tão piedosamente celebrava, o que a Coroa conseguiu foi simplesmente desnaturar o Halloween de todo o seu sentido cristão, fazendo com que os ingleses retomassem, ainda que de forma mitigada, os cultos macabros que os celtas, seus ancestrais pagãos, prestavam aos mortos. Assim, o que fôra para os primeiros evangelizadores da Inglaterra uma grande oportunidade de catequese — por ordem de Gregório Magno, que enviou ao país Santo Agostinho da Cantuária e o orientou expressamente a lançar mão dos elementos da cultura local para a conversão dos nativos — terminou se transformando, para as gerações vindouras, em flerte com o paganismo e causa de verdadeira perdição.

Muitos sacerdotes exorcistas atestam essa verdade na prática de seu ministério: é grande a contaminação que recebem muitas crianças e jovens ao participarem das aparentemente "inofensivas" brincadeiras desta que constitui, agora, uma festividade puramente pagã. Por isso, recomenda-se às famílias católicas que evitem tomar parte nessas comemorações e não permitam que seus filhos se caracterizem como bruxos, demônios e coisas afins. Podemos até admitir, como já explicado, que a origem do Halloween seja católica; festejá-lo da forma mundana como ele é festejado hoje, todavia, constitui muito mais um mal que propriamente um bem.

É claro que as famílias cristãs podem — e devem — servir-se dessa ocasião, em suas casas, para restaurar o autêntico sentido católico do dia 31 de outubro: aproveitar a proximidade da festa de Todos os Santos para inspirar as crianças e os jovens a imitarem o exemplo desses amigos de Deus e aspirarem ao destino eterno que eles alcançaram. Uma boa sugestão nesse sentido seria, ao invés de impor nos filhos os costumes dos condenados ao inferno, vesti-los com roupas de santos. Vesti-los de santos, sim, o que não significa necessariamente vesti-los com hábitos clericais ou religiosos, porque afinal, como nos ensina a história da Igreja, a santidade é para todas as pessoas, independentemente do estado de vida — e da faixa etária — em que se achem. Incentivando nossas crianças a celebrarem deste modo a véspera de Todos os Santos, começaremos a prepará-los desde já para a celebração plena desse mistério no Céu.

Fonte site Padre Paulo Ricardo

 

domingo, 29 de outubro de 2023

Os Seis Pecados contra o Espírito Santo

 


Os seis pecados contra o Espírito Santo são:

1. Presunção.

2. Desespero.

3. Resistir à verdade conhecida.

4. Inveja do bem espiritual de outra pessoa.

5. Obstinação no pecado.

6. Impenitência final.


1. Desespero.

Entendida em todo o seu rigor teológico, ou seja, não como simples desânimo perante as dificuldades que a prática da virtude e da perseverança apresenta no estado de graça, mas como persuasão obstinada da impossibilidade de obter de Deus o perdão dos pecados e a salvação eterna. Foi o pecado do traidor Judas, que se enforcou desesperado, rejeitando assim a infinita misericórdia de Deus, que lhe teria perdoado seu pecado se ele se tivesse arrependido dele.

2. Presunção.

Que é o pecado contrário ao anterior e se opõe por excesso à esperança teológica. Consiste em uma confiança imprudente e excessiva na misericórdia de Deus, em virtude da qual se espera conseguir a salvação sem necessidade de se arrepender dos pecados e continua a ser cometida tranquilamente sem qualquer temor aos castigos de Deus. Despreza-se assim a justiça divina, cujo medo retrairia do pecado.

3. A contestação da verdade.

Conhecida, não por simples vaidade ou desejo de contornar as obrigações que impõe, mas por deliberada malícia, que ataca os dogmas da fé suficientemente conhecidos, com a finalidade satânica de apresentar a religião cristã como falsa ou duvidosa. Despreza-se assim o dom da fé, oferecido misericordiosamente pelo Espírito Santo, e se peca diretamente contra a mesma luz divina.

4. A inveja do proveito espiritual do próximo.

É um dos pecados mais satânicos que podem ser cometidos, porque com ele «não só se tem inveja e tristeza do bem do irmão, mas da graça de Deus, que cresce no mundo» (Santo Tomás). Entristecer-se da santificação do próximo é um pecado direto contra o Espírito Santo, que concede benignamente os dons interiores da graça para a remissão dos pecados e santificação das almas. É o pecado de Satanás, a quem dói a virtude e a santidade dos justos.

5. Teimosia no pecado.

Recusando as inspirações interiores da graça e os conselhos saudáveis das pessoas sensatas e cristãs, não tanto para se entregarem mais tranquilamente a todos os tipos de pecados, mas por refinada malícia e rebelião contra Deus. É o pecado daqueles fariseus a quem Santo Estêvão qualificava de «duros de cerviz e incircuncisos de coração e ouvidos, vocês sempre resistiram ao Espírito Santo» (Act. 7.51).

6. Impenitência deliberada.

Aquela que toma a determinação de nunca se arrepender dos pecados e resistir a qualquer inspiração da graça que possa levar ao arrependimento. É o mais horrendo dos pecados contra o Espírito Santo, pois se fecha voluntariamente e para sempre as portas da graça. “Se na hora da morte – dizia um infeliz apóstata – eu pedir um sacerdote para me confessar, não mo traga: é que eu estarei delirando”.

Eles são absolutamente irremissíveis?

No Evangelho nos diz que o pecado contra o Espírito Santo «não será perdoado nem neste século nem no próximo» (Mt. 12,32). Mas estas palavras têm de ser interpretadas corretamente. Não há nem pode haver um pecado tão grave que não possa ser perdoado pela infinita misericórdia de Deus, se o pecador se arrepender devidamente dele neste mundo.

Mas, como precisamente aquele que peca contra o Espírito Santo rejeita a graça de Deus e se obstina voluntariamente na sua maldade, é impossível que, enquanto permanecer nessas disposições, o pecado lhe seja perdoado.

O que não significa que Deus o abandonou definitivamente e esteja determinado a não o perdoar, mesmo que se arrependa; mas que do fato do pecador NÃO QUEIRA ARREPENDER-SE E MORRERÁ OBSTINADO NO SEU PECADO.

Conversão e retorno a Deus de um desses homens satânicos não é absolutamente impossível, mas seria na ordem sobrenatural um milagre tão grande quanto na ordem natural a ressurreição de um morto.

Frei Antonio Royo Marín

domingo, 22 de outubro de 2023

ORAÇÃO PARA SE LIBERTAR DA ANSIEDADE


ORAÇÃO DA NOITE PARA SERENAR O ESPÍRITO

“Pai, que vives e governas os céus, deixa o teu reino vir à terra e estabelecer-se em mim (Mateus 6,10). Não existe medo, nem ansiedade, nem pânico no céu. Estabelece o teu reino em meu coração, para que eu possa caminhar em paz, com confiança e força. Abro os olhos do meu coração (Lucas 20,31) para ver tudo o que tens para mim. Mostra-me como eu já fui abençoado com toda a bênção espiritual dos céus (Efésios 1,3). Ajuda-me a receber tudo o que tens preparado para mim, pois te amo (Romanos 8,28).

Os anjos estão à minha volta, ministrando o meu ser (Hebreus 1,14). Eles me guardarão de acordo com a tua palavra e o teu comando (Salmos 103,21). Não há razão para estresse e preocupação. Tu me proporcionarás tudo de que preciso na vida, para minha paz e para minha proteção (Mateus 6,33).

Hoje, com a tua graça, não vou ficar ansioso(a) com nada (Filipenses 4,6). Deixarei a minha vida e minhas preocupações em tuas mãos, porque Tu cuidas de mim (1 Pedro 5,7). Tu me guiarás no melhor caminho para a minha vida. Jamais me abandonarás (Hebreus 13,5). Sempre estás comigo. Sempre.

Eu coloco toda a minha fé em Ti. Por Cristo, nosso Senhor, e pela intercessão de Sua Mãe Santíssima, Nossa Senhora e também nossa Mãe, a Virgem Maria, que nos ensina a fazer tudo o que Ele nos diz. 

Amém.”

domingo, 8 de outubro de 2023

Nossa Senhora Auxiliadora, o Poder do Santo Rosário e a Batalha de Lepanto

 


Nossa Senhora Auxiliadora, o Poder do Santo Rosário e a Batalha de Lepanto

O protestantismo como grave revolta assolava a Europa, as heresias como os cátaros e muitos outros contaminavam os ambientes onde ainda restava fé, os cismáticos orientais obstinados em seus erros e o até então recente inimigo muçulmano ameaçava a qualquer momento invadir o centro da cristandade e destruir a Igreja: este era o cenário extremamente inóspito que Sua Santidade Pio V tinha diante de si. Aos olhos de todos parecia que a Cristandade iria desmoronar, mas este santo Papa teve confiança na Beatíssima Virgem Maria e conduziu a Cristandade de volta à obediência a Nosso Senhor. A grande arma do heróico São Pio V: o Santo Rosário.

O perigo muçulmano vinha devidamente preparado, os turcos otomanos a caminho da Europa eram em números assustadores, com tropas muito bem treinadas, homens cegos incentivados pelas falsas promessas da doutrina islâmica, equipados com os barcos mais ágeis de sua época, deixavam muito claro que eram a força superior no controle do Mediterrâneo.

Diante de inimigo tão bem preparado, os cristãos não tinham uma força à altura dos inimigos que vinham à espreita. Em especial a República de Veneza apelou ao Santo Padre para que os demais reinos católicos acudissem seus irmãos à mercê da turba maometana; mas com o grande caos reinando na Europa, esta não foi uma tarefa de fácil resolução.

Por intermédio do Santo Padre, deu-se início à formação da Santa Liga, composta principalmente pelas forças de Veneza, de Espanha, dos Estados Pontifícios e liderada por Dom João d’Áustria, que chegou a ser citado por Sua Santidade Pio V em encíclica pelo seu decisivo apoio na batalha: “Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João”.

O herói São Pio V enviou para o Imperador uma bandeira, na qual estava bordada a imagem de Jesus crucificado.

O bravo Papa mandou um cardeal benzer as armas dos soldados, pedindo que levassem o santo Rosário como a arma mais forte. Era uma guerra de legítima defesa da Europa invadida, depois que os turcos tomaram Constantinopla em 1453, e agora ameaçavam destruir o Ocidente cristão. Foi uma batalha decisiva. Os muçulmanos sempre tentaram, e ainda tentam destruir o cristianismo, e conquistar o mundo para Alá, pela força das armas, é a guerra santa: Jihad.

A Europa estremeceu, e estava em risco a civilização cristã e a religião católica, que custou tanto sangue dos mártires.

São Pio V implorou a proteção da Virgem Maria em favor do povo cristão, pedindo à Virgem que afastasse, de uma vez por todas, o perigo do islamismo ameaçador.

A preparação dos soldados consistiu em um tríduo de jejuns, orações e procissões, suplicando a Deus a graça da vitória, pois o inimigo não era apenas uma ameaça para a Igreja, mas também para a civilização. Tendo recebido a Santa Eucaristia, partiram para a batalha.

No dia 7 de outubro de 1571, na grande e temida batalha na Grécia, os católicos travaram uma terrível batalha nas águas de Lepanto. Os valorosos católicos venceram definitivamente os turcos. As forças cristãs eram minoria, os turcos tinham cerca de trezentos barcos de guerra no mar da Grécia, mas, por ação de Nossa Senhora, milagrosamente, as forças turcas foram aniquiladas. Três horas de combate foram necessárias… A vitória coube aos católicos, que ao grito de “Viva Maria”, hastearam a bandeira de Cristo.

O Papa quis então demonstrar sua gratidão à Mãe da Igreja e dos homens, e mandou incluir na Ladainha a invocação, “Auxiliadora dos Cristãos, rogai por nós”.

Extra:

- D. João d’Áustria

Partiram então as naus cristãs com a Cruz de Cristo rumo à libertação dos católicos que já estavam sob jugo muçulmano e para impedir que o flagelo maometano se alastrasse pela Europa. O ponto de encontro foi na Sicília e de lá partiram para o local de batalha, que era próximo a Lepanto, na costa da Grécia. Imediatamente após o fim das tratativas, São Pio V conclamou toda a Cristandade a rezar e fazer penitência para que Deus ouvisse seus clamores e desse a vitória aos cristãos. Em uma verdadeira Cruzada, os fiéis faziam procissões e rezavam especialmente o Santo Rosário, para que Nossa Senhora, medianeira de todas as graças, lhes fosse particularmente favorável.

Mesmo em número desfavorável, a Santa Liga avançou destemida contra o feroz inimigo, confiante na proteção da Virgem Santíssima, como na antiquíssima oração: “Sub tuum præsidium confugimos Sancta Dei Genitrix”. E no raiar do dia 7 de outubro de 1569, as embarcações inimigas já podiam ser vistas no horizonte e era apenas questão de horas para se iniciar a batalha. Sob o comando de Dom João d’Áustria, a Santa Liga seguiu confiante à batalha. Apesar das grandes baixas, os cristãos seguiam lutando, quando Nosso Senhor ouviu as preces de toda a Cristandade e intercedeu em seu favor. Desta forma, a batalha começou a tender para o lado dos católicos, até que enfim a ameaça fosse repelida.

- Estandarte da Santa Liga

”Nem as tropas, nem as armas, nem os comandantes,

mas a Virgem Maria do Rosário foi quem nos deu a vitória!!!”

Segundo relatos dos próprios turcos da batalha, apareceu no Céu uma imponente Senhora que parecia estar contra eles e a favor dos cristãos. Mesmo que eles tivessem o melhor poderio bélico marítimo, nada parecia ter efeito contra aquela Senhora tão poderosa. As baixas seguiam do lado maometano, enquanto os cristãos cativos eram libertados e ajudavam na batalha.

Após duro embate, finalmente a Santa Liga se saiu vitoriosa, tendo como grande auxílio o Santo Rosário que era rezado em toda a Europa. Com a conquista de tão importante vitória e o livramento da Europa das garras maometanas, São Pio V seguiu a entoar o Te Deum, instituiu a festa do Santo Rosário e adicionou o título de Auxílio dos Cristãos à Ladainha de Nossa Senhora.

- O combate

Quando as duas forças se colidiram, navios bateram uns nos outros, homens armados trocavam de embarcações empunhando espadas, flechas voavam de um barco a outro, mosquetes, arcabuzes e canhões disparavam para todo lado. Foi a maior batalha naval desde a Batalha de Áccio.

Ao final da batalha, na tarde do dia 7 de outubro, o mar estava avermelhado de sangue por quilômetros, 12.000 escravos cristãos foram libertados e 7.500 cristãos foram mortos, ao passo que 3.486 turcos foram feitos prisioneiros e 30.000 foram mortos.

Um fato curioso na batalha foi a participação do escritor espanhol Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote, que fora ferido em seu ombro esquerdo, o que levou à perda dos movimentos da mão esquerda, e fora mantido prisioneiro pelos turcos por 5 anos.

- Importância religiosa

A Batalha de Lepanto é muito importante para nós da religião católica, isso por que teve um grande impacto espiritual. O dia 7 de Outubro é comemorado pelos católicos desde 1571 como o dia de Nossa Senhora do Rosário.

Essa empreitada militar foi organizada por Sua Santidade Pio V, ele via o crescimento Otomano não só como um risco ao povo, mas também a liberdade religiosa. O Papa fez questão que todos os soldados fizessem jejum e oração, além de que se confessassem e comungassem o corpo de Cristo antes da batalha, por isso em cada navio estava presente um padre. Ao final da batalha, estando a centenas de quilômetros numa reunião em Roma, o Papa Pio V naquele momento se levantou e disse que deveriam parar a reunião e dar graças a Deus, por que a batalha havia sido vencida pelos cristãos.

“Enquanto ele ( São Pio V) rezava o terço, ou terminado o terço, apareceu-lhe Nossa Senhora Auxiliadora e comunicou a ele que a batalha de Lepanto tinha sido ganha. Ele então foi para o ponto da sala onde estavam reunidos os cardeais e comunicou isso: “Nós podemos nos tranqüilizar. A batalha foi ganha. Há uma vitória. Eu tive uma revelação neste sentido, etc.” [...] Agora, por que a ele? A ele porque ele era o chefe da Cristandade, não tem dúvida. A ele também porque ele tinha sido um verdadeiro herói, e tinha lutado a propósito dessa guerra, e tinha desenvolvido um esforço igual ou maior que o dos guerreiros de Lepanto. Ele tinha sido um herói, verdadeiro herói, como foi Dom João D'Áustria e como foram os outros grandes guerreiros que venceram em Lepanto.”

?[...] et portæ inferi non prævalebunt adversum eam.?

? Matthæum XVI, 18.

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

O MÊS DO ROSÁRIO

 

Origem

Outubro é verdadeiramente o nosso mês das flores. O mês das rosas. A primavera.

Maio só o podemos chamar o mês das flores da nossa piedade e fervorosa devoção à Maria. É o nosso outono.

Só temos flores nos jardins porque vivemos numa primavera eterna.

Já não é assim outubro.

Vicejam rosas e lírios, as flores simbólicas de Nossa Senhora. É o nosso mês de Maria — Rosa mística, a Rainha do Santíssimo Rosário.

Ao mês de maio quis a piedade católica juntar mais um mês durante o ano, consagrado à Mãe de Deus. E como o Rosário é a mais bela e a mais alta expressão do culto à Maria, a rainha das devoções marianas, e, em outubro, se celebra a Festa litúrgica de Nossa Senhora do Rosário, ficou pois naturalmente consagrado este belo mês ao Rosário.

Esta prática piedosa não data de muitos anos. É bem nova, relativamente. Não tem um século. Um Dominicano espanhol, missionário nas Filipinas em Ocana, zeloso em propagar o Rosário quis facilitar a prática desta devoção e a ela pensou consagrar todo o mês de outubro.

Compôs um belo mês do Rosário.

Das Filipinas a devoção passou à Espanha onde trinta e três Bispos logo a acolheram e recomendaram para suas Dioceses.

A França em breve também a recebeu e propagou.

S. S. Pio IX enfim consagrou este novo mês de Maria, aprovando-o carinhosamente e concedendo-lhe as mesmas indulgências do mês de maio, em 28 de Julho de 1868.

Entretanto, a bela devoção não era conhecida e praticada além da Espanha, a França e as Filipinas. A Leão Xlll, o Papa do Rosário, se deve a propagação do mês do Rosário em todo o mundo. Este grande Pontífice quis ver o Rosário no seu lugar de honra de primeira devoção e rainha das devoções marianas.

O mês do Rosário pareceu então ao Papa o mais eficaz e poderoso meio de realizar o seu ideal.

Oportunidade do Mês do Rosário

Insistiu Leão XIII com outros pontífices seus antecessores sobre a oportunidade da devoção do Rosário.

E, na Encíclica admirável: Supremi Apostolatus de 1.º de Setembro de 1883 ordena que em todo mundo católico se consagre o mês de outubro ao Rosário de Maria para a salvação do mundo. Depois de lembrar as glórias do Rosário nos elogios de soberanos Pontífices, seus antecessores na cátedra de Pedro, e, de haver provado a necessidade extrema do recurso à Maria nas horas tormentosas da Igreja; comparando os nossos dias aos da época de São Domingos e da heresia Albigense e a do perigo da invasão Maometana conjurada por São Pio V pelo Rosário, Leão XIII escreve:

“Por tudo quanto dissemos, desejamos vivamente que todos os cristãos cuidadosamente pratiquem em público ou em particular, e também no seio das famílias, a piedosa devoção do Rosário. E para que este hábito não se perca queremos que todo o mês de outubro seja consagrado e dedicado à Celeste Rainha do Rosário. Decretamos e ordenamos, portanto, que em todo o mundo católico sejam celebradas com especial devoção as Festas de Nossa Senhora do Rosário com todas as solenidades do culto. Recitem-se piedosamente, pelo menos cinco dezenas do Rosário seguidas das Ladainhas da Virgem todos os dias, de primeiro de outubro até o dia 2 de Novembro. E isto se faça em todas as Igrejas paroquiais, e, se o Bispo julgar útil, em todas as Igrejas e Capelas.

Desejamos também que o povo assista em grande número a estes exercícios de piedade que serão feitos durante a Missa pela manhã, ou à tarde diante do Santíssimo Sacramento solenemente exposto.”

Na Encíclica Quamquam pluries de 15 de Agosto de 1889, Leão XIII manda acrescentar às Ladainhas depois do Terço, a oração de São José.

Eis aí o mês do Rosário como hoje o temos. A sua oportunidade não passou. Ao invés, os tempos são hoje piores e mais terríveis. O mundo tira agora as últimas consequências dos males apontados por Leão XIIl. Pois então, nunca foi mais oportuno o mês do Rosário.

***

EXEMPLO

Um Terço que traz felicidade

Pela estrada que ia de Anagni em direção a um castelo de Carpineto, na Itália, seguia um carro de luxo levando um jovem distinto da nobreza Romana e seu preceptor.

Ouvem gemidos e param.

Encontram um pobre pastorzinho a gemer com um dos pés todo ferido e ensanguentado.

O pobre menino chorava e, com o Terço nas mãos implorava a proteção de Nossa Senhora do Rosário.

— Que te aconteceu?

— Um carro me passou por cima deste pé e sofro horrorosamente aqui, atirado à beira da estrada…

O moço fidalgo, muito comovido, desceu do carro, foi a um regato ali próximo, trouxe água no chapéu, banhou as feridas, amarrou-as com um lenço umedecido.

— E onde moras meu pequeno?

— Lá naquele morro…

— Mas não poderás caminhar até lá, vamos levar-te primeiro a Carpineto onde farás o tratamento desse pé ferido, e depois te levaremos à tua casa.

O pequeno foi transportado ao carro com todo cuidado e carinho.

— Joaquim, diz o Mestre, que vai fazer rapaz?

— O que todo cristão deve fazer.

Hei de abandonar aqui este pobrezinho?!…

Ao chegar ao Castelo, a mamãe de Joaquim alegrou-se ao ver o bom coração do filho.

Recebeu nos braços o pastorzinho e lhe deu logo um bom quarto. É chamado o médico da família. Algumas horas mais tarde o carro do Castelo transportava o ferido à sua choupana.

Joaquim foi levá-lo e já lhe havia dado uma boa esmola e alguns presentes.

A pobre camponesa, mãe do pequeno ferido, chorava comovida e profundamente grata.

Ó meu bom moço que hei de fazer para vos provar o meu agradecimento? Nossa Senhora do Rosário vos abençoe e vos pague!

Só tenho o meu Rosário, só este Rosário e eu o rezarei muitas vezes na vossa intenção. É a gratidão desta pobre viúva. Meu Terço vos há de tornar feliz!

O moço fidalgo caridoso era Joaquim Pecci. Mais tarde foi o Padre Joaquim Pecci. Depois o Cardeal Pecci e finalmente Leão XIII, o Papa do Rosário, o Papa que instituiu o mês do Rosário.

( Monsenhor Ascânio Brandão. O Mês do Rosário, Edições do “Mensageiro do Santíssimo Rosário”)