Rezando a Via
Sacra com Santo Afonso de Ligório
Com estas orações
compostas por Santo Afonso Maria de Ligório, refaça conosco o mesmo caminho que
Nosso Senhor percorreu com a Cruz às costas, desde o pretório de Pilatos até o
monte Calvário.
Equipe Christo
Nihil Praeponere
26.Mar.2021Tempo
de leitura: 16 minutos
A Via
Sacra é uma das mais antigas formas de se meditar a Paixão de Cristo. A
expressão vem do latim e significa “caminho sagrado”: literalmente falando,
nada mais é que o trajeto percorrido por Nosso Senhor com a Cruz às costas,
desde o pretório de Pilatos, onde foi condenado à morte, até o Calvário, onde
foi crucificado.
Segundo uma
piedosa tradição, ninguém menos que a Virgem Maria teria dado início a
este santo exercício: após a morte de seu divino Filho, seja sozinha, seja em
companhia das santas mulheres, ela teria refeito constantemente a via
crucis, isto é, o “caminho da Cruz”.
Seguindo o
exemplo de Nossa Senhora, os fiéis da Palestina — e, no correr dos anos,
numerosos peregrinos de todos os lugares do mundo — procuraram visitar aqueles
santos lugares, cobertos pelo suor e pelo sangue de Jesus Cristo; e a Igreja, a
fim de encorajar-lhes a piedade, abriu a esses peregrinos seus tesouros de
bênçãos espirituais.
Segundo uma
piedosa tradição, ninguém menos que a Virgem Maria teria dado início ao
exercício da Via Sacra.
Como, porém, nem
todos podem ir à Terra Santa, a Santa Sé autorizou que fossem erigidas, nas
igrejas e nas capelas de todo o mundo, cruzes, pinturas ou baixos-relevos
representando as tocantes cenas que se passaram na estrada verdadeira ao
Calvário, em Jerusalém.
Ao permitir a
construção dessas “estações”, como são chamadas — e que tradicionalmente são em
número de 14 —, os Pontífices Romanos, que compreendiam toda a excelência e
eficácia desta devoção, se dignaram também enriquecê-las de todas as
indulgências que advinham de uma visita de verdade à Terra Santa.
Ainda hoje,
segundo o Manual das Indulgências, “concede-se indulgência plenária ao
fiel que fizer o exercício da via-sacra, piedosamente”, levando-se em conta o
seguinte (conc. 63):
I. “O piedoso
exercício deve-se realizar diante das estações da via-sacra, legitimamente
eretas.
II. Requerem-se
catorze cruzes para erigir a via-sacra; junto com as cruzes, costuma-se colocar
outras tantas imagens ou quadros que representam as estações de
Jerusalém.
III. Conforme o
costume mais comum, o piedoso exercício consta de catorze leituras devotas, a
que se acrescentam algumas orações vocais. Requer-se piedosa meditação só da
Paixão e Morte do Senhor, sem ser necessária a consideração do mistério de cada
estação.
IV. Exige-se o
movimento de uma para a outra estação. Mas, se a via-sacra se faz publicamente
e não se pode fazer o movimento de todos os presentes ordenadamente, basta que
o dirigente se mova para cada uma das estações, enquanto os outros ficam em
seus lugares.”
Essa indulgência
pode, ainda, ser lucrada todos os dias do ano e aplicar-se aos
defuntos como sufrágio.
Se sempre devemos
meditar os sofrimentos de nosso Redentor, a Quaresma, porém, é um tempo ainda
mais propício para isso, especialmente nas suas duas últimas semanas,
tradicionalmente denominadas de “Tempo da Paixão”.
Por isso,
publicamos a seguir o texto de uma Via Sacra com meditações compostas por
S. Afonso Maria de Ligório. Encontramos essa preciosidade no site Preces
Latinae (onde é possível rezar com essas reflexões em latim) e a tradução
portuguesa abaixo é de nossa equipe. (Há também uma versão dessa oração em
italiano aqui.)
De uma estação a
outra, é recomendável que se entoe algum canto piedoso, como o Stabat
mater. Em língua portuguesa, talvez o hino A morrer crucificado seja
o mais conhecido para essa finalidade. Por isso, acrescentamos os seus versos
após cada uma das meditações de Santo Afonso (embora eles não sejam de autoria
do santo). Também adicionamos, no final da Via Sacra, duas orações tradicionais
que normalmente a acompanham: uma a Jesus crucificado e outra a Nossa Senhora
das Dores (mas tampouco elas são da pena de Santo Afonso).
As imagens das
estações, a seguir, se encontram na Igreja de São Bonifácio, na cidade de
Leeuwarden, Holanda.
Oração Inicial
Senhor Jesus Cristo, vós com tanto amor entrastes nesta via
para morrerdes por mim; eu porém tantas vezes vos desprezei! Agora, de toda a
minha alma vos amo e, porque vos amo, arrependo-me do fundo do coração de
ter-vos ofendido. Perdoai-me e permiti que vos acompanhe nesta via. Vós, por
amor a mim, caminhais para o lugar em que por mim haveis de morrer, e eu
também, por amor a vós, desejo acompanhar-vos para convosco morrer, amantíssimo
Redentor. Ó meu Jesus, desejo convosco viver e morrer!
1.ª Estação —
Jesus é condenado à morte
?. Nós vos
adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
?. Porque, por
vossa santa Cruz, redimistes o mundo.
Contemplemos como
Jesus Cristo, já flagelado e coroado de espinhos, foi por fim injustamente
condenado à morte por Pilatos.
Oração. — Ó
Jesus adorável, não foi Pilatos, mas minha vida iníqua que vos condenou à
morte. Pelo mérito deste tão penoso itinerário, no qual entrais rumo ao monte
Calvário, peço-vos que benignamente me acompanheis no caminho pelo qual minha
alma se dirige à eternidade. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor, mais do que a mim
mesmo, e do fundo do coração me arrependo de ter-vos ofendido. Não permitais
que eu novamente me separe de vós. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o
que quiserdes. O que vos for agradável também o será para mim.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.
A morrer
crucificado,
Teu Jesus é
condenado
Por teus crimes,
pecador.
Pela Virgem
dolorosa,
Vossa Mãe tão
piedosa,
Perdoai-me, meu
Jesus.
2.ª Estação —
Jesus carrega a Cruz
?. Nós vos
adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
?. Porque, por
vossa santa Cruz, redimistes o mundo.
Contemplemos como
Jesus Cristo, levando a Cruz aos ombros, lembrava-se no caminho de oferecer por
nós ao Pai eterno a morte que havia de sofrer.
Oração. — Ó
amabilíssimo Jesus, abraço todas as adversidades que, por vossa vontade, hei de
tolerar até a morte e, pelo duro sofrimento que suportastes carregando a Cruz,
peço-vos que me deis forças para que também eu possa carregar, com ânimo forte
e paciente, minha própria cruz. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor, e arrependo-me de
ter-vos ofendido. Não permitais que novamente me separe de ti. Dai-me amor
perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.
Com a Cruz é
carregado,
E do peso
acabrunhado,
Vai morrer por
teu amor.
Pela Virgem
dolorosa,
Vossa Mãe tão
piedosa,
Perdoai-me, meu
Jesus.
3.ª Estação —
Jesus cai pela primeira vez
?. Nós vos
adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
?. Porque, por
vossa santa Cruz, redimistes o mundo.
Contemplemos a
primeira queda de Jesus sob o peso da Cruz. Tinha Ele a carne, por causa da
cruenta flagelação, ferida de muitos modos e a cabeça coroada de espinhos;
derramara ainda tanto sangue, que mal podia mover os pés por falta de forças. E
porque era oprimido pelo grave peso da Cruz e açulado sem clemência pelos
soldados, por isso aconteceu-lhe de cair muitas vezes por terra ao longo do
caminho.
Oração. — Ó
meu Jesus, não é o peso da Cruz, mas o dos meus pecados que de tantas dores vos
cobre. Rogo-vos, por esta vossa primeira queda, que me protejais de toda queda
em pecado. Amo-vos, ó Jesus, de todo o meu coração; arrependo-me de ter-vos ofendido.
Não me permitais novamente cair em pecado. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei
de mim o que quiserdes.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.
Pela Cruz tão
oprimido,
Cai Jesus,
desfalecido,
Pela tua
salvação.
Pela Virgem
dolorosa,
Vossa Mãe tão
piedosa,
Perdoai-me, meu
Jesus.
4.ª Estação —
Jesus se encontra com sua Mãe dolorosa
?. Nós vos
adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
?. Porque, por
vossa santa Cruz, redimistes o mundo.
Contemplemos como
deve ter sido o encontro, neste caminho, do Filho e da Mãe. Jesus e Maria se
olharam entre si, e os olhares mudos que trocaram foram outras tantas setas a
atravessar o coração amante de ambos.
Oração. — Ó
amantíssimo Jesus, pela dor acerba que experimentastes neste encontro,
tornai-me, eu vos peço, verdadeiramente devoto de vossa Mãe santíssima. E vós,
ó minha dolorosa Rainha, intercedei por mim e alcançai-me uma tal memória dos
suplícios de vosso Filho, que minha mente esteja para sempre detida na piedosa
contemplação deles. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor; arrependo-me de ter-vos
ofendido. Não me permitais novamente pecar contra vós. Dai-me amor perpétuo a
vós e fazei de mim o que quiserdes.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.
De Maria
lacrimosa,
No encontro
lastimosa,
Vê a imensa
compaixão.
Pela Virgem
dolorosa,
Vossa Mãe tão
piedosa,
Perdoai-me, meu
Jesus.
5.ª Estação — O
Cirineu ajuda Jesus a carregar a Cruz
?. Nós vos
adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
?. Porque, por
vossa santa Cruz, redimistes o mundo.
Contemplemos como
os judeus obrigaram Simão de Cirene a carregar a Cruz atrás do Senhor, vendo
Jesus quase expirar a cada passo devido ao cansaço e temendo, por outra parte,
que morresse no caminho aquele que queriam ver pregado à Cruz.
Oração. — Ó
dulcíssimo Jesus, não quero, como o Cirineu, repudiar a Cruz. De bom grado a
abraço e tomo sobre mim; abraço especialmente a morte que para mim
estabelecestes, com todas as dores que ela trará consigo. Uno minha morte à
vossa e, assim unida, ofereço-a a vós em sacrifício. Vós morrestes por amor a
mim; quero também eu morrer por amor a vós, com a intenção de vos agradar. Vós,
porém, ajudai-me com a vossa graça. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor, e arrependo-me
de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor
perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.
Em extremo
desmaiado,
Teve auxílio, tão
cansado,
Recebendo o
Cireneu.
Pela Virgem
dolorosa,
Vossa Mãe tão
piedosa,
Perdoai-me, meu
Jesus.
6.ª Estação —
Verônica limpa com um sudário o rosto de Jesus
?. Nós vos
adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
?. Porque, por
vossa santa Cruz, redimistes o mundo.
Contemplemos como
aquela santa mulher Verônica, vendo Jesus abatido pelas dores, com o rosto
banhado em suor e sangue, estendeu-lhe um pano em que, purificada a face, Ele
deixou impressa sua imagem.
Oração. — Ó
meu Jesus, formosa era antes a vossa face; mas agora não aparece assim, tão
deformada está por feridas e sangue! Ai de mim, como era formosa também minha
alma, quando recebi a vossa graça pelo Batismo: mas, pecando, tornei-a
disforme. Vós somente, meu Redentor, lhe podeis restituir a antiga beleza. Para
que o façais, rogo-vos pelo mérito de vossa Paixão. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor;
arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda.
Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.
O seu rosto
ensanguentado,
Por Verônica
enxugado,
Eis, no pano,
apareceu.
Pela Virgem
dolorosa,
Vossa Mãe tão
piedosa,
Perdoai-me, meu
Jesus.
7.ª Estação —
Jesus cai pela segunda vez
?. Nós vos
adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
?. Porque, por
vossa santa Cruz, redimistes o mundo.
Contemplemos a
segunda queda de Jesus sob o peso da Cruz, na qual se lhe aprofundam todas as
chagas da venerável cabeça e de todo o corpo, e se renovam todas as angústias
do doloroso Senhor.
Oração. — Ó
mansíssimo Jesus, quantas vezes me concedestes o perdão! Eu, porém, recaí nos
mesmos pecados e renovei minhas ofensas contra vós. Pelo mérito desta vossa
nova queda, ajudai-me a perseverar em vossa graça até a morte. Fazei, em todas
as tentações que avançarão contra mim, que em vós sempre me refugie. Amo-vos de
todo o meu coração, ó Jesus, meu Amor; arrependo-me de ter-vos ofendido. Não
permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de
mim o que quiserdes.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.
Outra vez
desfalecido,
Pelas dores
abatido,
Cai por terra o
Salvador.
Pela Virgem
dolorosa,
Vossa Mãe tão
piedosa,
Perdoai-me, meu
Jesus.
8.ª Estação —
Jesus fala às mulheres de Jerusalém
?. Nós vos
adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
?. Porque, por
vossa santa Cruz, redimistes o mundo.
Contemplemos como
estas mulheres, vendo Jesus morto de cansaço e coberto de sangue, são tocadas
de comiseração e choram copiosamente. Mas, voltando-se a elas, Ele diz: “Não
choreis por mim; antes, chorai por vós mesmas e por vossos filhos”.
Oração. — Ó
doloroso Jesus, choro os pecados que cometi contra vós, não só pelas penas de
que me fizeram digno, mas sobretudo pela tristeza que vos causaram a vós, que
tanto me amastes. Ao choro me move menos o inferno que o amor a vós. Ó meu
Jesus, amo-vos mais do que a mim mesmo; arrependo-me de ter-vos ofendido. Não
permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de
mim o que quiserdes.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.
Das mulheres
piedosas,
De Sião filhas
chorosas,
É Jesus
consolador.
Pela Virgem
dolorosa,
Vossa Mãe tão
piedosa,
Perdoai-me, meu
Jesus.
9.ª Estação —
Jesus cai pela terceira vez
?. Nós vos
adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
?. Porque, por
vossa santa Cruz, redimistes o mundo.
Contemplemos a
terceira queda de Cristo sob o peso da Cruz. Caiu porque era demasiada a sua
fraqueza e excessiva a crueldade dos algozes, que lhe queriam acelerar a
marcha, embora Ele mal pudesse dar um passo.
Oração. — Ó
Jesus tão maltratado, pelo mérito desta falta de forças que quisestes padecer
no caminho do Calvário, confortai-me, eu vos peço, com tanto vigor, que já não
tenha respeito algum às opiniões dos homens e domine minha natureza viciosa:
porque ambas as coisas foram a causa por que desprezei outrora a vossa amizade.
Amo-vos, ó Jesus, meu Amor, de todo o meu coração; arrependo-me de ter-vos
ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós
e fazei de mim o que quiserdes.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.
Cai, terceira
vez, prostrado,
Pelo peso
redobrado
Dos pecados e da
Cruz.
Pela Virgem
dolorosa,
Vossa Mãe tão
piedosa,
Perdoai-me, meu
Jesus.
10.ª Estação —
Jesus é espoliado de suas vestes
?. Nós vos
adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
?. Porque, por
vossa santa Cruz, redimistes o mundo.
Contemplemos com
que violência arrancaram as vestes a Cristo. Como o traje interior estivesse
muito pegado à carne, aberta pelos flagelos, os carnífices, ao puxarem-lha,
rasgaram-lhe também a pele. Tenhamos compaixão de Nosso Senhor e lhe falemos
assim:
Oração. — Ó
inocentíssimo Jesus, pelo mérito da dor que padecestes nesta espoliação,
ajudai-me, eu vos peço, a despir-me de todo afeto às coisas criadas e, com toda
a inclinação de minha vontade, converter-me somente a vós, que sois tão digno
do meu amor. Amo-vos de todo o meu coração; arrependo-me de ter-vos ofendido.
Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei
de mim o que quiserdes.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.
Dos vestidos
despojado,
Por algozes
maltratado,
Eu vos vejo, meu
Jesus.
Pela Virgem
dolorosa,
Vossa Mãe tão
piedosa,
Perdoai-me, meu
Jesus.
11.ª Estação —
Jesus é pregado à Cruz
?. Nós vos
adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
?. Porque, por
vossa santa Cruz, redimistes o mundo.
Contemplemos como
Jesus é arremessado sobre a Cruz e, de braços estendidos, oferece sua vida ao
Pai eterno em sacrifício pela nossa salvação. Os carnífices o pregam à Cruz e,
depois de erguerem esta, deixam-no levantado num infame patíbulo, abandonado a uma
morte cruel.
Oração. — Ó
Jesus tão desprezado, pregai meu coração aos vossos pés, para que, com vínculo
de amor, eu permaneça sempre a vós ligado e jamais seja de vós separado.
Amo-vos mais do que a mim mesmo, arrependo-me de ter-vos ofendido. Não
permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de
mim o que quiserdes.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.
Sois por mim na
Cruz pregado,
Insultado,
blasfemado,
Com cegueira e
com furor.
Pela Virgem
dolorosa,
Vossa Mãe tão
piedosa,
Perdoai-me, meu
Jesus.
12.ª Estação —
Jesus morre na Cruz
?. Nós vos
adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
?. Porque, por
vossa santa Cruz, redimistes o mundo.
Contemplemos
Jesus preso à nossa Cruz. Após três horas de luta, consumido enfim pelas dores,
Ele deu o corpo à morte e, de cabeça inclinada, entregou o espírito.
Oração. — Ó
Jesus morto, movido por íntimos afetos de piedade, beijo esta Cruz em que vós,
por minha causa, cumpristes o curso de vossa vida. Pelos pecados cometidos,
mereci uma morte infeliz; mas vossa morte é minha esperança. Pelos méritos de
vossa morte, concedei-me, peço-vos, que, abraçado aos vossos pés e abrasado de
amor por vós, eu entregue um dia meu espírito. Amo-vos de todo o meu coração;
arrependo-me de ter-vos ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda.
Dai-me amor perpétuo a vós e fazei de mim o que quiserdes.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.
Por meus crimes
padecestes,
Meu Jesus, por
mim morrestes,
Oh, quão grande é
minha dor!
Pela Virgem
dolorosa,
Vossa Mãe tão
piedosa,
Perdoai-me, meu
Jesus.
13.ª Estação —
Jesus é descido da Cruz
?. Nós vos
adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
?. Porque, por
vossa santa Cruz, redimistes o mundo.
Contemplemos como
dois dos discípulos de Jesus, José e Nicodemos, o tiram exânime da Cruz e o
colocam nos braços de sua Mãe dolorosa, que recebe o Filho morto com grande
amor e o abraça ternamente.
Oração. — Ó
Mãe das Dores, pelo amor com que amais o vosso Filho, recebei-me como servo
vosso e rogai a Ele por mim. E vós, ó meu Redentor, porque por mim morrestes,
fazei, benignamente, com que eu vos ame; a vós somente desejo nem quero nada
fora de vós. Amo-vos, ó Jesus, meu Amor, e arrependo-me de ter-vos ofendido.
Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós e fazei
de mim o que quiserdes.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.
Do madeiro vos
tiraram
E à Mãe vos
entregaram
Com que dor e
compaixão!
Pela Virgem
dolorosa,
Vossa Mãe tão
piedosa,
Perdoai-me, meu
Jesus.
14.ª Estação —
Jesus é sepultado
?. Nós vos
adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
?. Porque, por
vossa santa Cruz, redimistes o mundo.
Contemplemos como
os discípulos levam Jesus exânime ao lugar da sepultura. Triste, a Mãe os
acompanha e com as próprias mãos acomoda o corpo do Filho à sepultura. Fecha-se
este, enfim, e todos vão-se embora.
Oração. — Ó
Jesus sepultado, beijo esta pedra que vos acolheu; mas, após três dias, haveis
de ressurgir! Por vossa ressurreição, fazei-me, eu vos peço, ressurgir glorioso
convosco no último dia e ir para o Céu, onde, unido a vós para sempre, vos hei
de louvar e amar por toda a eternidade. Amo-vos e arrependo-me de ter-vos
ofendido. Não permitais que eu novamente vos ofenda. Dai-me amor perpétuo a vós
e fazei de mim o que quiserdes.
Pai-nosso, Ave-Maria, Glória.
No sepulcro vos
deixaram,
Sepultado, vos
choraram,
Magoado o
coração.
Meu Jesus, por
vossos passos,
Recebei em vossos
braços
A mim, pobre pecador.
Oração final a Jesus crucificado
Eis-me aqui, ó meu bom e dulcíssimo Jesus!
Humildemente prostrado de joelhos em vossa presença, peço e suplico-vos, com
todo o fervor de minha alma, que vos digneis gravar em meu coração os mais
vivos sentimentos de fé, esperança e caridade, de verdadeiro arrependimento de
meus pecados, e um firme propósito de emendar-me, enquanto vou considerando,
com vivo afeto e dor, as vossas cinco chagas, tendo presentes as palavras que
já o profeta Davi punha em vossa boca, ó bom Jesus: “Transpassaram minhas mãos
e os meus pés e contaram todos os meus ossos” (Sl 21, 17).
A Nossa Senhora das Dores. — Ó Mãe das Dores, Rainha dos mártires, que tanto chorastes vosso Filho, morto para me salvar, alcançai-me uma verdadeira contrição dos meus pecados e uma sincera mudança de vida. Mãe, pela dor que experimentastes quando vosso divino Filho, no meio de tantos tormentos, inclinando a cabeça expirou à vossa vista sobre a cruz, eu vos suplico que me alcanceis uma boa morte. Por piedade, ó advogada dos pecadores, não deixeis de amparar a minha alma na aflição e no combate da terrível passagem desta vida à eternidade. E, como é possível que, neste momento, a palavra e a voz me faltem para pronunciar o vosso nome e o de Jesus, rogo-vos, desde já, a vós e a vosso divino Filho, que me socorrais nessa hora extrema, e assim direi:
Jesus e Maria, entrego-vos
a minha alma. Amém.















Nenhum comentário:
Postar um comentário