domingo, 8 de outubro de 2023

Nossa Senhora Auxiliadora, o Poder do Santo Rosário e a Batalha de Lepanto

 


Nossa Senhora Auxiliadora, o Poder do Santo Rosário e a Batalha de Lepanto

O protestantismo como grave revolta assolava a Europa, as heresias como os cátaros e muitos outros contaminavam os ambientes onde ainda restava fé, os cismáticos orientais obstinados em seus erros e o até então recente inimigo muçulmano ameaçava a qualquer momento invadir o centro da cristandade e destruir a Igreja: este era o cenário extremamente inóspito que Sua Santidade Pio V tinha diante de si. Aos olhos de todos parecia que a Cristandade iria desmoronar, mas este santo Papa teve confiança na Beatíssima Virgem Maria e conduziu a Cristandade de volta à obediência a Nosso Senhor. A grande arma do heróico São Pio V: o Santo Rosário.

O perigo muçulmano vinha devidamente preparado, os turcos otomanos a caminho da Europa eram em números assustadores, com tropas muito bem treinadas, homens cegos incentivados pelas falsas promessas da doutrina islâmica, equipados com os barcos mais ágeis de sua época, deixavam muito claro que eram a força superior no controle do Mediterrâneo.

Diante de inimigo tão bem preparado, os cristãos não tinham uma força à altura dos inimigos que vinham à espreita. Em especial a República de Veneza apelou ao Santo Padre para que os demais reinos católicos acudissem seus irmãos à mercê da turba maometana; mas com o grande caos reinando na Europa, esta não foi uma tarefa de fácil resolução.

Por intermédio do Santo Padre, deu-se início à formação da Santa Liga, composta principalmente pelas forças de Veneza, de Espanha, dos Estados Pontifícios e liderada por Dom João d’Áustria, que chegou a ser citado por Sua Santidade Pio V em encíclica pelo seu decisivo apoio na batalha: “Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João”.

O herói São Pio V enviou para o Imperador uma bandeira, na qual estava bordada a imagem de Jesus crucificado.

O bravo Papa mandou um cardeal benzer as armas dos soldados, pedindo que levassem o santo Rosário como a arma mais forte. Era uma guerra de legítima defesa da Europa invadida, depois que os turcos tomaram Constantinopla em 1453, e agora ameaçavam destruir o Ocidente cristão. Foi uma batalha decisiva. Os muçulmanos sempre tentaram, e ainda tentam destruir o cristianismo, e conquistar o mundo para Alá, pela força das armas, é a guerra santa: Jihad.

A Europa estremeceu, e estava em risco a civilização cristã e a religião católica, que custou tanto sangue dos mártires.

São Pio V implorou a proteção da Virgem Maria em favor do povo cristão, pedindo à Virgem que afastasse, de uma vez por todas, o perigo do islamismo ameaçador.

A preparação dos soldados consistiu em um tríduo de jejuns, orações e procissões, suplicando a Deus a graça da vitória, pois o inimigo não era apenas uma ameaça para a Igreja, mas também para a civilização. Tendo recebido a Santa Eucaristia, partiram para a batalha.

No dia 7 de outubro de 1571, na grande e temida batalha na Grécia, os católicos travaram uma terrível batalha nas águas de Lepanto. Os valorosos católicos venceram definitivamente os turcos. As forças cristãs eram minoria, os turcos tinham cerca de trezentos barcos de guerra no mar da Grécia, mas, por ação de Nossa Senhora, milagrosamente, as forças turcas foram aniquiladas. Três horas de combate foram necessárias… A vitória coube aos católicos, que ao grito de “Viva Maria”, hastearam a bandeira de Cristo.

O Papa quis então demonstrar sua gratidão à Mãe da Igreja e dos homens, e mandou incluir na Ladainha a invocação, “Auxiliadora dos Cristãos, rogai por nós”.

Extra:

- D. João d’Áustria

Partiram então as naus cristãs com a Cruz de Cristo rumo à libertação dos católicos que já estavam sob jugo muçulmano e para impedir que o flagelo maometano se alastrasse pela Europa. O ponto de encontro foi na Sicília e de lá partiram para o local de batalha, que era próximo a Lepanto, na costa da Grécia. Imediatamente após o fim das tratativas, São Pio V conclamou toda a Cristandade a rezar e fazer penitência para que Deus ouvisse seus clamores e desse a vitória aos cristãos. Em uma verdadeira Cruzada, os fiéis faziam procissões e rezavam especialmente o Santo Rosário, para que Nossa Senhora, medianeira de todas as graças, lhes fosse particularmente favorável.

Mesmo em número desfavorável, a Santa Liga avançou destemida contra o feroz inimigo, confiante na proteção da Virgem Santíssima, como na antiquíssima oração: “Sub tuum præsidium confugimos Sancta Dei Genitrix”. E no raiar do dia 7 de outubro de 1569, as embarcações inimigas já podiam ser vistas no horizonte e era apenas questão de horas para se iniciar a batalha. Sob o comando de Dom João d’Áustria, a Santa Liga seguiu confiante à batalha. Apesar das grandes baixas, os cristãos seguiam lutando, quando Nosso Senhor ouviu as preces de toda a Cristandade e intercedeu em seu favor. Desta forma, a batalha começou a tender para o lado dos católicos, até que enfim a ameaça fosse repelida.

- Estandarte da Santa Liga

”Nem as tropas, nem as armas, nem os comandantes,

mas a Virgem Maria do Rosário foi quem nos deu a vitória!!!”

Segundo relatos dos próprios turcos da batalha, apareceu no Céu uma imponente Senhora que parecia estar contra eles e a favor dos cristãos. Mesmo que eles tivessem o melhor poderio bélico marítimo, nada parecia ter efeito contra aquela Senhora tão poderosa. As baixas seguiam do lado maometano, enquanto os cristãos cativos eram libertados e ajudavam na batalha.

Após duro embate, finalmente a Santa Liga se saiu vitoriosa, tendo como grande auxílio o Santo Rosário que era rezado em toda a Europa. Com a conquista de tão importante vitória e o livramento da Europa das garras maometanas, São Pio V seguiu a entoar o Te Deum, instituiu a festa do Santo Rosário e adicionou o título de Auxílio dos Cristãos à Ladainha de Nossa Senhora.

- O combate

Quando as duas forças se colidiram, navios bateram uns nos outros, homens armados trocavam de embarcações empunhando espadas, flechas voavam de um barco a outro, mosquetes, arcabuzes e canhões disparavam para todo lado. Foi a maior batalha naval desde a Batalha de Áccio.

Ao final da batalha, na tarde do dia 7 de outubro, o mar estava avermelhado de sangue por quilômetros, 12.000 escravos cristãos foram libertados e 7.500 cristãos foram mortos, ao passo que 3.486 turcos foram feitos prisioneiros e 30.000 foram mortos.

Um fato curioso na batalha foi a participação do escritor espanhol Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote, que fora ferido em seu ombro esquerdo, o que levou à perda dos movimentos da mão esquerda, e fora mantido prisioneiro pelos turcos por 5 anos.

- Importância religiosa

A Batalha de Lepanto é muito importante para nós da religião católica, isso por que teve um grande impacto espiritual. O dia 7 de Outubro é comemorado pelos católicos desde 1571 como o dia de Nossa Senhora do Rosário.

Essa empreitada militar foi organizada por Sua Santidade Pio V, ele via o crescimento Otomano não só como um risco ao povo, mas também a liberdade religiosa. O Papa fez questão que todos os soldados fizessem jejum e oração, além de que se confessassem e comungassem o corpo de Cristo antes da batalha, por isso em cada navio estava presente um padre. Ao final da batalha, estando a centenas de quilômetros numa reunião em Roma, o Papa Pio V naquele momento se levantou e disse que deveriam parar a reunião e dar graças a Deus, por que a batalha havia sido vencida pelos cristãos.

“Enquanto ele ( São Pio V) rezava o terço, ou terminado o terço, apareceu-lhe Nossa Senhora Auxiliadora e comunicou a ele que a batalha de Lepanto tinha sido ganha. Ele então foi para o ponto da sala onde estavam reunidos os cardeais e comunicou isso: “Nós podemos nos tranqüilizar. A batalha foi ganha. Há uma vitória. Eu tive uma revelação neste sentido, etc.” [...] Agora, por que a ele? A ele porque ele era o chefe da Cristandade, não tem dúvida. A ele também porque ele tinha sido um verdadeiro herói, e tinha lutado a propósito dessa guerra, e tinha desenvolvido um esforço igual ou maior que o dos guerreiros de Lepanto. Ele tinha sido um herói, verdadeiro herói, como foi Dom João D'Áustria e como foram os outros grandes guerreiros que venceram em Lepanto.”

?[...] et portæ inferi non prævalebunt adversum eam.?

? Matthæum XVI, 18.

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