domingo, 29 de outubro de 2023

Os Seis Pecados contra o Espírito Santo

 


Os seis pecados contra o Espírito Santo são:

1. Presunção.

2. Desespero.

3. Resistir à verdade conhecida.

4. Inveja do bem espiritual de outra pessoa.

5. Obstinação no pecado.

6. Impenitência final.


1. Desespero.

Entendida em todo o seu rigor teológico, ou seja, não como simples desânimo perante as dificuldades que a prática da virtude e da perseverança apresenta no estado de graça, mas como persuasão obstinada da impossibilidade de obter de Deus o perdão dos pecados e a salvação eterna. Foi o pecado do traidor Judas, que se enforcou desesperado, rejeitando assim a infinita misericórdia de Deus, que lhe teria perdoado seu pecado se ele se tivesse arrependido dele.

2. Presunção.

Que é o pecado contrário ao anterior e se opõe por excesso à esperança teológica. Consiste em uma confiança imprudente e excessiva na misericórdia de Deus, em virtude da qual se espera conseguir a salvação sem necessidade de se arrepender dos pecados e continua a ser cometida tranquilamente sem qualquer temor aos castigos de Deus. Despreza-se assim a justiça divina, cujo medo retrairia do pecado.

3. A contestação da verdade.

Conhecida, não por simples vaidade ou desejo de contornar as obrigações que impõe, mas por deliberada malícia, que ataca os dogmas da fé suficientemente conhecidos, com a finalidade satânica de apresentar a religião cristã como falsa ou duvidosa. Despreza-se assim o dom da fé, oferecido misericordiosamente pelo Espírito Santo, e se peca diretamente contra a mesma luz divina.

4. A inveja do proveito espiritual do próximo.

É um dos pecados mais satânicos que podem ser cometidos, porque com ele «não só se tem inveja e tristeza do bem do irmão, mas da graça de Deus, que cresce no mundo» (Santo Tomás). Entristecer-se da santificação do próximo é um pecado direto contra o Espírito Santo, que concede benignamente os dons interiores da graça para a remissão dos pecados e santificação das almas. É o pecado de Satanás, a quem dói a virtude e a santidade dos justos.

5. Teimosia no pecado.

Recusando as inspirações interiores da graça e os conselhos saudáveis das pessoas sensatas e cristãs, não tanto para se entregarem mais tranquilamente a todos os tipos de pecados, mas por refinada malícia e rebelião contra Deus. É o pecado daqueles fariseus a quem Santo Estêvão qualificava de «duros de cerviz e incircuncisos de coração e ouvidos, vocês sempre resistiram ao Espírito Santo» (Act. 7.51).

6. Impenitência deliberada.

Aquela que toma a determinação de nunca se arrepender dos pecados e resistir a qualquer inspiração da graça que possa levar ao arrependimento. É o mais horrendo dos pecados contra o Espírito Santo, pois se fecha voluntariamente e para sempre as portas da graça. “Se na hora da morte – dizia um infeliz apóstata – eu pedir um sacerdote para me confessar, não mo traga: é que eu estarei delirando”.

Eles são absolutamente irremissíveis?

No Evangelho nos diz que o pecado contra o Espírito Santo «não será perdoado nem neste século nem no próximo» (Mt. 12,32). Mas estas palavras têm de ser interpretadas corretamente. Não há nem pode haver um pecado tão grave que não possa ser perdoado pela infinita misericórdia de Deus, se o pecador se arrepender devidamente dele neste mundo.

Mas, como precisamente aquele que peca contra o Espírito Santo rejeita a graça de Deus e se obstina voluntariamente na sua maldade, é impossível que, enquanto permanecer nessas disposições, o pecado lhe seja perdoado.

O que não significa que Deus o abandonou definitivamente e esteja determinado a não o perdoar, mesmo que se arrependa; mas que do fato do pecador NÃO QUEIRA ARREPENDER-SE E MORRERÁ OBSTINADO NO SEU PECADO.

Conversão e retorno a Deus de um desses homens satânicos não é absolutamente impossível, mas seria na ordem sobrenatural um milagre tão grande quanto na ordem natural a ressurreição de um morto.

Frei Antonio Royo Marín

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